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Notícia de dous fenómenos estranhos e curiosos presentes em "A História das Línguas" da Através Editora

Notícia de dous fenómenos estranhos e curiosos presentes em "A História das Línguas" da Através Editora

Carlos Garrido

 

Roga-se ao leitor ler todas as notas deste artigo!

 

Este é o segundo artigo que, com pouco distanciamento temporal a respeito do primeiro, escrevemos e damos à estampa sobre umha publicaçom da Através Editora, a área editorial da Agal, o que testemunha, por um lado, e num sentido favorável, a elevada produtividade dessa entidade reintegracionista, polo menos em domínios que som do interesse e da competência deste articulista, mas, por outro, e já em sentido menos favorável, como vamos ver, tamém a necessidade de os diretores e colaboradores da editora —cuja atividade se enquadra, nom se deve esquecer, dentro das coordenadas do amadorismo— procederem com maiores sentido e sensibilidade, cuidado e rigor na produçom das respetivas obras.

Se o anterior artigo que nesta linha publicamos dizia respeito à (pouco feliz) intervençom dos mediadores textuais da Através na reediçom do Scórpio carvalhano, o presente contributo focaliza, igualmente, o desempenho de um redator interposto, o qual, neste caso, adota a forma de um mediador textual na sua mais elevada expressom e responsabilidade, ou seja, a de tradutor, ou mediador lingüístico-cultural. Vamo-nos referir aqui à traduçom galego-portuguesa assinada polo filólogo galego Fernando Vasques Corredoira do valioso compêndio didático-divulgador do lingüista sueco Tore Janson The History of Languages: An Introduction, a qual véu recentemente a lume na Através Editora sob o título A História das Línguas: Uma Introdução 1. É o nosso fito na presente peça darmos notícia, de forma simples e breve, mas desejavelmente instrutiva, de dous fenómenos estranhos e curiosos que afloram nesse interessante ato de mediaçom textual. Som curiosos e estranhos os dous fenómenos, mas, como veremos, apenas um deles é raro, raríssimo de facto, pois o outro, que vamos abordar em primeiro lugar, está, infelizmente, bastante estendido. Em qualquer caso, sendo este articulista tradutor e professor universitário de traduçom, e tendo publicado recentemente umha monografia intitulada A Traduçom do Ensino e Divulgaçom da Ciência, nom será preciso tecer aqui muitas justificaçons da motivaçom para efetuarmos este nosso escrutínio, tanto mais que o número de traduçons de livros didáticos e divulgadores publicadas até agora no nosso país em galego-português (em qualquer das três normas hoje vigentes) continua a ser na verdade ridículo 2, a patentear o escasso compromisso social e político realmente existente entre nós com a promoçom da língua autóctone da Galiza.

1. Primeiro fenómeno estranho e curioso: a preguiça do especialista tradutor

Permitam-se-nos de início umhas poucas subtilezas sobre a figura do tradutor. Em relaçom à traduçom de um dado texto pragmático mais ou menos especializado (como os didáticos ou divulgadores), pode distinguir-se entre tradutores nom especialistas, tradutores semiespecialistas e tradutores especialistas, sendo estes últimos aqueles tradutores que contam com formaçom específica (institucionalizada) e (muito) avançada na matéria (principal) versada no correspondente texto de partida. Se os tradutores especialistas de obras didáticas e divulgadoras estám especializados na correspondente matéria (principal) e, assim, som com freqüência professores, investigadores ou profissionais da respetiva área, por outro lado, eles, na sua grande maioria, nom apresentam formaçom específica (institucionalizada) em traduçom. Precisamente a este perfil concreto (à partida, subótimo), que podemos chamar de especialista tradutor, corresponde o tradutor de The History of Languages da Através Editora: trata-se de um muito competente filólogo e lingüista galego, docente de português, especialista em língua e literaturas galego-portuguesas (e bom conhecedor de outras línguas románicas), mas que nom conta com formaçom específica (universitária) em traduçom (a partir do inglês).

Gizada, assim, a classificaçom dos tradutores de textos didáticos e divulgadores, podemos já revelar ao amável leitor o primeiro dos fenómenos estranhos e curiosos que se manifestam em A História das Línguas da Através Editora. É este um fenómeno de traduçom estranho, si, mas, infelizmente, tamém, como indica a nossa experiência de atento leitor de traduçons, bastante freqüente, e que consiste numha marcada tendência dos especialistas tradutores para cometerem erros crassos na traduçom de unidades lexicais de especialidade, ou seja, na determinaçom de equivalências terminológicas. A origem deste fenómeno, só aparentemente paradoxal, é bem fácil de compreender, embora nom seja assim tam fácil de justificar: o especialista tradutor, avantajado na traduçom dos muitos termos da sua especialidade que surgem no texto de partida (neste caso nosso, termos de lingüística ou de filologia), enlevado pola facilidade e rapidez com que evoca os respetivos equivalentes na língua de chegada e nom treinado —por falta da formaçom e da experiência próprias de um tradutor profissional— na realizaçom de pesquisas terminológicas e documentais, ao esbarrar no texto de partida com unidades lexicais pertencentes a especialidades diferentes daquela em que é perito, deixa-se levar pola nugalha intelectual, nom se esforça na requerida documentaçom, escorrega e, lamentavelmente, acaba dando gato por lebre aos seus leitores, em termos de designaçom, no texto de chegada.

Nom é literalmente gato por lebre que, nalgum passo de A História das Línguas, nos impinge o tradutor da Através Editora, mas quase assim, porque, como vamos ver em seguida, aquele efetua na traduçom a troca indevida de um grupo de primatas por um outro grupo, impertinente. Com efeito, reparemos no seguinte excerto do texto de partida da traduçom em foco (ênfases nossas):

The History of Languages: An Introduction: pág. 7 [disponibilizada na internet em Google Books]: «Several species of ape and monkey possess fairly large systems [of signals], comprising many tens of distinctive sounds. Interestingly, our closest relatives, the chimpanzees and bonobos, do not seem to use sounds for communication in any more advanced way than many monkeys

No inglês da biologia, da zoologia, o termo ape denota o conjunto de espécies de macacos que pertencem à mesma superfamília que o ser humano, os Hominoidea ou Hominoides, superfamília que compreende as famílias Hilobatídeos (4 géneros e 16 espécies de gibons) e Hominídeos, a qual, por sua vez, para além do ser humano, inclui três espécies de orangotangos, duas espécies de gorilas e duas espécies de chimpanzés (o chimpanzé-comum e o chimpanzé-anao ou bonobo). À vista desta extensom designativa do termo inglês ape, é claro que a equivalência terminológica galego-portuguesa correspondente é macaco (ou símio) antropoide, ou antropomorfo (cf. al. Menschenaffe); igualmente, num contexto especializado, como o que se verifica no trecho aqui considerado, e em confronto ou correspondência com ape, o termo inglês monkey designa todos os símios com exclusom dos macacos antropoides (e do ser humano), polo que cabe vertê-lo para galego-português como macaco nom antropoide. Vejamos, entom, a seguir, como verteu o fragmento em apreço o tradutor da Através Editora (ênfases nossas):

A História das Línguas: Uma Introdução: pág. 30, com erro(s) de traduçom: «Várias espécies de micos e macacos contam com sistemas [de sinais] bem amplos, compreendendo algumas dezenas de sons distintos. Curiosamente, os nossos parentes mais próximos, os chimpanzés e os bonobos, parecem não utilizar sons para comunicação em sistemas muito mais avançados do que diversos outros macacos

Vê-se aqui, portanto, que o tradutor da Através Editora verteu o termo inglês ape por mico. Mas o que significa este mico? Mico, ou miquinho, na Galiza, é como o gato doméstico é apelidado com carinho (= Pt+Br bichan(it)o), mas, aqui, polo contexto, o vocábulo há de se referir, nom a felinos, mas a primatas, de modo que, assim, micos denota um conjunto de macacos platirríneos (americanos), inclusos nas famílias Calitriquídeos —e entom tamém som designados por sagüi(n)s e pertencem, sobretodo, aos géneros Callimico, Callithrix, Leontopithecus e Mico— ou Cebídeos, e entom pertencem aos géneros Cebus e Sapajus e tamém som denominados macacos-prego ou macacos-capuchinhos. É isto o que Tore Janson, mediante o uso da voz ape (e monkey), quer que o seu leitor entenda no passo em causa? «Micos e macacos»? Evidentemente, nem por sombras! Consideremos, entom, como poderá formular-se umha traduçom galego-portuguesa mais respeitosa com a designaçom do texto-fonte:

Traduçom nossa, corretora do(s) erro(s) da traduçom da Através Editora: «Várias espécies de macacos, quer antropoides quer não antropoides, contam com sistemas de sinais bem amplos, compreendendo muitas dezenas de sons distintos. Curiosamente, para comunicarem, os nossos parentes mais próximos, os chimpanzés-comuns e os bonobos, parecem não utilizar sons de modo mais avançado que o de muitos macacos não antropoides.»

Para tranqüilidade do leitor da traduçom da Através Editora, e para sermos justos com o tradutor e com a editora em presença, diga-se que, felizmente, nesta obra som muito poucos os passos em que ocorrem unidades lexicais de especialidades diferentes da filologia, da lingüística (histórica) ou da história (lingüística), de modo que a desestabilizadora ameaça da preguiça do especialista tradutor nom pode ser aqui grave. De facto, antes de passarmos ao segundo fenómeno de traduçom estranho e curioso, queremos afiançar que, de resto —mas sem termos tido ocasiom de realizar umha comparaçom pormenorizada entre o texto de partida e o de chegada—, a traduçom da Através parece, em geral, seguir fielmente o original e, em qualquer caso, ela está escrita (deixando de fora um número algo elevado de gralhas!) num galego-português escorreito e elegante, que propicia umha leitura bem fluída 3.

at2. Segundo fenómeno estranho e curioso: umha traduçom numha língua de chegada intervarietal

Como é de regra na Agal após, sobretodo, a (forçada e traumática) dissoluçom da sua Comissom Lingüística, que tivo lugar no fim de 2015, a publicaçom da Através Editora aqui focalizada, em rechamante contraste com a trajetória histórica da Agal, inscreve-se plenamente no reintegracionismo galego-português que podemos designar como subordinacionista, polo que se dirige a um público galego fazendo uso do padrom morfográfico, morfológico e lexical lusitano (!), com desconsideraçom de qualquer legítima particularidade galega eventualmente existente nesses domínios expressivos (as quais som hoje definidas pola Comissom Lingüística da AEG, sucessora da extinta da Agal). Ora, no caso de A História das Línguas da Através, mesmo se pode assinalar umha priorizaçom do público leitor português sobre o galego 4, visto que esta ediçom galega inclui um (oportuno) prólogo escrito por João Veloso, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto 5, e dado que as «Notas do tradutor» que surgem entre as páginas 291 e 296 da obra, utilizadas para acrescentar umhas poucas informaçons respeitantes ao galego-português (ao qual sempre se lhe referem como «português»), mal contenhem algumha referência à variedade galega da língua. Por conseguinte, o escopo da presente ediçom da Através terá sido, e é, disponibilizar no padrom lusitano do galego-português a um público galego e português (sem secundarizar este!) um interessante compêndio didático-divulgador de tema lingüístico originalmente redigido em inglês 6.

Eis que, assim estabelecido e reconhecido o escopo da traduçom da Através, já estamos em disposiçom de descortinar o segundo fenómeno estranho e curioso que se manifesta neste texto de chegada, fenómeno, aliás, extraordinariamente raro, como vamos ver. Quando alguém escreve e publica um texto numha língua pluricêntrica —ou seja, numha língua de larga distribuiçom geográfica e dotada de dous ou mais centros com norma própria, como é o caso, por exemplo, do castelhano, do inglês, do alemám e do próprio galego-português—, salvo em casos muito especiais 7, sempre terá em mente, como destinatária (principal) desse texto, umha comunidade social (e política) determinada, adscrita a um dos centros normadores ou variedades da correspondente língua, de modo que o redator em causa comporá o seu texto num concreto padrom (caraterizado por determinados usos gráficos, morfológicos, morfossintáticos e lexicais particulares), entre os diversos existentes no seio dessa língua. É claro que, em geral, eventuais misturas de traços pertencentes a diferentes padrons ou variedades do idioma, ou quebras, mais ou menos freqüentes, da coerência varietal da língua empregada, nom farám senom causar estranheza nos recetores, dificultar a comunicaçom e tornar disfuncional o correspondente texto. Todavia, é justamente esta circunstáncia —verdadeiramente rara de observar, em qualquer comunidade lingüística, nos manuais didáticos e livros de divulgaçom— que nos salta à vista ao longo da leitura de A História das Línguas da Através Editora: qual quimera bibliológica, a língua galego-portuguesa desta traduçom da Através apresenta um corpo principal que, em lógica correspondência com o escopo e adscriçom acima expostos, é integrado polo padrom lusitano, mas o qual, surpreendentemente, aqui e ali surge entremeado por elementos privativamente brasileiros, que, embora nom ocorram em grande profusom, si dam nas vistas pola sua caraterística feiçom e contrastante personalidade, como é o caso, sobretodo, do uso (e colocaçom) do pronome átono. Vejamos, entom, a seguir, algumhas destas intrusons brasileiras presentes na traduçom lusitana da Através, classificadas consoante a sua categoria:

Uso (e colocaçom) do pronome átono

«Há dois mil anos, o inglês não existia. Agora é utilizado, mas nalgum momento do futuro deixará de ser falado. O mesmo pode-se dizer [de] todas as línguas: aparecem, são utilizadas durante algum tempo e desaparecem.» (pág. 15) [Pt+Gz: «O mesmo se pode dizer»]

«conseguem se posicionar» (pág. 31) [Pt+Gz: «conseguem posicionar-se»]

«foram se sedentarizando» (pág. 55) [Pt: «foram-se sedentarizando» / Gz: «fôrom-se sedentarizando»]

«foi se tornando» (pág. 56) [Pt+Gz: «foi-se tornando»]

«e de facto o é» (pág. 83) [Pt+Gz: «e de facto é-o»]

«os quais foram se tornando» (pág. 116) [Pt: «os quais se foram tornando» / Gz: «os quais se fôrom tornando»]

«quando as línguas coloquiais foram-se tornando» (pág. 187) [Pt: «quando as línguas coloquiais se foram tornando» / Gz.: «quando as línguas coloquiais se fôrom tornando»]

Regências preposicionais

«palavras relacionadas a luz, tempo e estações» (pág. 83) [Pt+Gz: «relacionadas com»]

Outros traços mofossintáticos

«Autores dependem de antecessores» (pág. 191) [Pt+Gz, mais freq., «Os autores dependem dos antecessores»]

«muito menos línguas» (pág. 238, 242) [Pt+Gz «muitas menos línguas»]; «há muito mais encontros» (pág. 254) [Pt+Gz «há muitos mais encontros»]

Particularismos lexicais:

conceitual (pág. 129) [Pt+Gz: conceptual]

fazenda ‘exploraçom agrícola’ (pág. 236) [Pt+Gz: herdade, exploraçom agropecuária]

Nova York (pág. 257) [Pt+Gz: Nova Iorque]

À vista do raro fenómeno de hibridismo desta publicaçom da Através, caberá perguntar-se se nom se tratará, no fundo, de umha extrapolaçom ao campo editorial e ao contraste normativo luso-brasileiro da original conceçom lingüística da nova Agal, conforme a qual, no seio do reintegracionismo galego hodierno, e em contra da evidência e da intuiçom até agora vigentes, nom existiriam, e nom concorreriam, duas normas ou padrons (bem diferenciados) do galego-português (o padrom galego [reintegracionista] e o padrom lusitano), mas, wishful thinking, apenas um único padrom, magma fluido e caótico conveniente e taticamente contido, retido e subsumido, em pretensa boa harmonia com o galego-castelhano da Administraçom autonómica, na útil etiqueta (de conveniência) «galego internacional». Será, entom, porventura, este galego-português intervarietal utilizado na traduçom da Através o ensaio e esboço de um novo, prático e volúvel «português internacional», superador da bipartiçom normativa e do particularismo nacional? Na novíssima Agal todo parece possível!

3. Conclusom

Em suma, nom podemos pôr o ramo a este artigo sem recomendarmos encarecidamente aos nossos leitores o manual de Tore Janson publicado pola Através Editora: trata-se de um autor conceituado e de umha obra muito interessante, cuja versom original foi recentemente publicada pola prestigiosa Oxford University Press. Cabe dizer, ainda, que se trata, apesar de algumha deficiência causada polas limitaçons quase inerentes à figura do especialista tradutor, de umha traduçom galego-portuguesa razoavelmente bem feita e elegantemente redigida, a qual, além disso (e desculpe o amável leitor a maldosa ironia), vale a pena, nom só ler, como tamém possuir, umha vez que, em virtude da sua muito original constituiçom varietal (90 % de particularismos lusitanos + 10 % de particularismos brasileiros + 0 % de particularismos galegos), ela representa umha verdadeira raridade para o bibliófilo mais exigente. 8

Notas

1Eis a referência bibliográfica completa:

Tore Janson. 2018. A História das Línguas: Uma Introdução. Trad. de The History of Languages: An Introduction, 2012, por Fernando Vasques Corredoira, com prólogo de João Veloso. Através Editora. Santiago de Compostela.

2 Nesta apreciaçom nom temos em conta —naturalmente— os servis decalques do castelhano que representam muitos dos livros de texto do ensino primário e secundário utilizados no nosso sistema escolar.

3 No entanto, nom nos resistimos a indicar aqui algumhas poucas deficiências expressivas que detetamos no texto de chegada, e que correspondem a interferências da língua de partida que provavelmente umha pessoa com formaçom específica em traduçom (do inglês) contornaria: abuso ocasional dos artigos («Tore Janson [1936, Estocolmo] é um linguista e professor sueco. Na Universidade de Gotemburgo [Suécia] foi professor de latim, de cuja história é um especialista, e de línguas africanas.», na orelha anterior do livro), abuso de sugerir (< ingl. to suggest), em vez de (parece) indicar, etc. (passim); traduçom de ability por *habilidade (passim), em vez dos corretos capacidade, faculdade; de literacy por *literacia (pág. 276, 281), em vez de alfabetização ou alfabetismo; fórmula «em X anos» (< ingl. prep. in), nas pág. 275, 284, 285 e 286, em vez de dentro de; traduçom de 1,300 por *1,300 (pág. 62), em vez de por 1.300 ou, melhor, 1300.

4 De facto, é de louvar que as obras da Através Editora gozam na atualidade de umha distribuiçom bastante eficaz nas livrarias portuguesas, além de nas galegas.

5 A propósito, umha deficiência desta ediçom é que no prólogo de João Veloso surgem chamadas para notas que nom estám atreladas a qualquer nota (do prologuista) efetivamente presente na obra.

6 Como exemplo de traduçom de livro divulgador inscrita na outra corrente do reintegracionismo, a coordenacionista —e portanto escrita no padrom galego do galego-português e endereçada em primeiro lugar a um público galego, mas, secundariamente, tamém português—, pode ser proveitoso citar aquela, efetuada por este articulista, que em breve publicará a editora Laiovento do livro Organismische Rekorde, de Klaus Richarz e Bruno P. Kremer (lançamento previsto para este outono, sob o título Recordes dos Seres Vivos. Anaos e Gigantes, das Bactérias aos Vertebrados).

7 Um desses casos excecionais, assaz especiais, é o representado pola Encyclopaedia Britannica, obra que, nascida —a condizer com o seu título— na Gram-Bretanha, véu, com o decorrer do tempo, a ser editada nos Estados Unidos. Esta circunstáncia, junto com a sua tendência conservadora e orientaçom internacionalizante, explica que esta enciclopédia, nas ediçons mais recentes, incorpore (ou mantenha) na sua redaçom —fundamentalmente feita no padrom norte-americano do inglês— alguns particularismos gráficos da norma europeia (como a terminaçom -our em vocábulos de tipo tumour [NAm tumor], ou as seqüências etimológicas, nom simplificadas, em eruditismos como haemoglobin [NAm hemoglobin]).

8 Grande parte das questons (se nom todas!) suscitadas neste artigo ganham umha nova perspetiva (e compreensom) ao tomarmos em conta as seguintes esclarecedoras palavras do tradutor da Através Editora: «Desta obra existe tradução brasileira, de Marcos Bagno (Parábola Editorial, São Paulo, 2015)[,] que tive presente para esta.» (início da secçom «Notas do tradutor», pág. 291).

Última modificação emQuinta, 13 Setembro 2018 08:20
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1 Comentário

  • Carlos Garrido
    Carlos Garrido Quinta, 13 Setembro 2018 17:46 Link do comentário

    Companheiro Ernesto,

    Dado que no meu artigo critico (intensa mas abafadamente, e com completa justiça) o comportamento do “tradutor” da Através e do diretor da área editorial da Agal, e dado que tu és amigo do “tradutor” da Através e diretor do sítio internético da Agal, parece-me lógico que aqui tentes defender o “tradutor” da Através e o diretor da área editorial da Agal; o que nom parece lógico num caso como este, Ernesto, é que te expresses com tal agressividade verbal, umha vez que aqui estás a falar (como fica patente!), por um lado, a partir da ignoráncia (real ou fingida?) do que é a traduçom de umha obra didática e divulgadora e do que som as variedades geográficas do galego-português, e, por outro lado, em defesa de um comportamento eticamente indefensável. Nessas circunstáncias, mais che valeria ter calado... Mas, enfim, vejo-me na obrigaçom de responder, para que nom aconteça algumhas pessoas poderem interpretar o meu silêncio como aceitaçom das impertinências vertidas (que, em princípio, nom che tomo a mal, porque sei que és pessoa honesta, embora com freqüentes “arroutadas”):

    1.- O principal: no meu artigo critico a falta de ética (intelectual) mostrada polo “tradutor” da Através e polo diretor da área editorial da Agal. Fago-o de umha forma irónica e “abafada”, para o que recorro, com efeito, a umha exortaçom inicial e a umha nota final nom ortodoxas (que fam parte da ironia e do “abafamento”), mas, visto que tu, com o teu comentário, me forças a prescindir agora da ironia e do “abafamento” do artigo, digo-o de umha forma mais direta (e espero que nom me leves a ter de o dizer de modo ainda mais cru): a pessoa que assina a traduçom da Através, que conhece muito bem as diferenças existentes entre o português de Portugal e o português do Brasil, mas que nom tem um conhecimento suficiente de inglês para traduzir este livro, nom é o autor dessa traduçom (apenas adaptador, e negligente!). Eis a falta de ética (intelectual) de um “tradutor” e de um editor que sentim o dever de criticar (e nom é a primeira trapaça-trapalhada que vemos na Através!).

    2.- “A História das Línguas” de Tore Janson nom é umha obra literária, é um texto pragmático de caráter didático-divulgador, e portanto, especializado. Por isso, ele deve ser traduzido conforme o modelo da traduçom instrumental, pondo extremo cuidado no transvasamento conceptual-terminológico. Traduzir termos da biologia tam precisos e, ao mesmo tempo, tam corriqueiros como “ape” e “monkey” da maneira trapalheira como aqui os verteu o “tradutor” da Através (na realidade, estou certo de que tal erro crasso de traduçom já está na versom brasileira decalcada pola Através) só indica desleixo da parte de um tradutor (Marcos Bagno) que é especialista em lingüística, mas nom em biologia (nem em traduçom). A argumentaçom sofística a que recorres, Ernesto, para justificar a traduçom de “ape” por “mico” é coxa e nom vai muito longe: deixando mesmo de parte aspetos fundamentais de precisom denotativa e de registo expressivo, é claro que “ape” nom se pode traduzir por “mico”, porque os micos som sempre primatas americanos, e os “apes”, os macacos antropoides, som todos originários do Velho Mundo; além disso, se “mico” estivesse no texto de chegada por “monkey”, no sentido (impreciso) de “macaco de tamanho médio (e pequeno)”, ainda ficaria o problema irresolúvel de que, entom, já na segunda oraçom do excerto, o tradutor verte “monkeys” por “macacos”. Enfim, Ernesto, estás numha boa aporia!
    E mais nada. Reitero o dito: o teu comentário, completamente errado na forma e no fundo, parece descabidamente agressivo, mas nom cho tomo a mal. Consta-me que és boa pessoa, embora com algumhas “arroutadas”. Cordialmente.

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