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A história da Galiza em 50 datas

A história da Galiza em 50 datas

Texto elaborado pola Comissom de História da compostelana Gentalha do Pichel.

Introduçom

Oferecemos com este formato um resumo dumha parte da história do território onde se assenta o nosso país. É bem certo que só compreende os dous mil anos da nossa era, que é o período em que podemos precisar os factos históricos concretos, e deixamos fora épocas em que a Galiza se desenvolve relacionando-se com o espaço geográfico e cultural a que pertence, a Europa Atlántica, pois após a conquista romana passa a ser a periferia dum centro mediterránico, até que desaparece esse poder na Alta Idade Média, e recupera o seu ámbito de relacionamento.

A seleçom de factos e datas nom foi só feita atendendo à sua importáncia intrínseca, como também ao desconhecimento ou ocultaçom, mesmo falsificaçom de datas, factos, situaçons e processos decisivos na história do nosso país.

Ao pé de pessoas e acontecimentos bem conhecidos pola imensa maioria do nosso povo, aparecem outros que semelham anedóticos ou menores, mas que consideramos significativos dessa história ocultada ou negada e da projecçom internacional da nossa naçom na história.

As pessoas que só conhecem a versom da historiografia oficial espanhola com os seus mitos, mistificaçons e descaradas falsificaçons, acharám em falta umha lendária batalha de Covadonga e um suposto Reino das Astúrias que mutaria num igualmente suposto Reino de Leom, ambos criaçom no nacionalismo espanhol no século XIX, empregando processos tam grosseiros como traduzir os nomes das crónicas mussulmanas Djalikiyah, Yalalika e formas parecidas, e também a Gallaecia das cristás por Reino de Leom.

Desprezamos, portanto, relatos históricos anacrónicos sobre o nosso país, que se cingem à extensom da Galiza administrativa atual e que som inúteis para explicar o nosso passado. O território onde se desenvolveu a organizaçom política nucleada à volta da Galiza foi variando ao longo dos séculos, reduzindo-se. Mas isso nom escusa que a actual potência hegemónica a nível Ibérico apague o passado e o reescreva, na tentativa de legitimar o presente.

Também descartamos conceitos falsos como reconquista ou repovoaçom. O primeiro, baseado numha ideologia que constrói umha suposta continuidade entre a breve fase de integridade ibérica do Reino Visigodo e a aspiraçom de Castela-Espanha de conquistar toda a península. Continuidade que se sustentaria na pretensa origem nobre e cortesá do primeiro rei na Gallaecia após a desfeita do Reino Visigodo, Paio. E o segundo, baseado no alegado despovoamento das zonas nom dependentes inicialmente do Reino Cristao do noroeste.

Do mesmo jeito, o rei galego Afonso VIII é para a historiografia espanholista Afonso IX, como tivemos ocasiom de ver recentemente, no 800 aniversário da carta de reguengo que este rei outorgou à Corunha em 1208.

Estamos conscientes de que a sucessom de datas, reis, batalhas, e factos assinalados nom facilitam ver os demorados processos de que som causa e, sobretodo, conseqüência.

Nom podemos refletir aqui, para além de todo o que aconteceu antes da nossa era, que foi muito e mais importante do que costumamos julgar, mudanças tais como a introduçom dos cultivos mediterránicos na Galiza que, se atendermos ao Códice Calixtino, no século XII ainda era escassa no País. Muito mais rápida foi a mudança na alimentaçom que produziu o milho e a pataca ao pouco da sua chegada da América.
Mas a introduçom destes alimentos nom impediu um processo migratório constante que já começou no século XVI, em direçom a Castela e a Portugal. Intensificou-se no XVIII e alcançou caráter maciço no século XIX. Ainda a inícios desse século, a Galiza tinha mais populaçom do que toda Castela. Até os 6% atuais dentro do Estado espanhol, a sangria populacional nom precisa de mais comentários.

Insistimos na sobrevivência do monte comunal, desaparecido doutras naçons europeias fundadas por povos germánicos, onde foi usurpado nos alvores da Idade Moderna, com o processo de cercamentos de terras que acompanhou a etapa de acumulaçom original capitalista.

Acabamos o percurso no fim do século passado, pois certamente nom temos ainda perspetiva para avaliar estes cinco lustros como os 2000 anos anteriores.

1. 22 a.d.n.e. Monte Medúlio. Se a data é aproximada, o local da derradeira resistência das tribos galaicas é desconhecido (Médulas, Monte Pindo, Trives...). Décimo Junho Bruto o Galaico tinha derrotado os galaicos em 135 a.d.n.e. no Douro. A serôdia ocupaçom romana da Gallaecia tinha por objeto cobrar impostos, extrair metais e alistar jovens para a tropa. A língua céltica (que só chegou a nós na toponímia) será substituída polo latim, mas há autores que datam o fim do proceso ainda no século VI.

2. 410 Reino Suevo. Ao pouco de se instalar na Galiza, o rei suevo Hermerico assina um pacto ou foedus com Honório, o Emperador de Roma, em virtude do qual a província romana da Gallaecia se convertia de facto num reino independente, o Reino Galego (Galliciense Regnum). Nascia assim o primeiro reino constituído na Europa, o primeiro Estado medieval, que compreendia os territórios da Galiza histórica, o norte de Portugal (até o rio Douro) e as atuais Astúrias e Leom.

3. 449 Requiário. O rei Requiário decide realizar a conversom de todos os suevos para o catolicismo, conseguindo assim a fusom das comunidades sueva e galaico-romana. No quadro da consolidaçom do Reino Galego, o rei Requiário ordena a cunhagem de moeda própria, sendo o primeiro rei europeu a fazê-lo. Nas casas da moeda alude-se ao caráter galego do Reino, abandonando já o conceito suevo.

A rápida consolidaçom do Reino Galego preocupou a velha aristocracia romana residente na Galiza e a mesma Roma, que envia um exército integrado polos seus aliados visigodos. Perto de Astorga produziu-se a batalha do rio Órbigo (456), onde os galegos fôrom vencidos e Requiário executado. Inicia-se um período de instabilidade, mas o reino nom desaparece.

4. 500 Chegada dos Britons. Por volta do novo século, chega a migraçom dos britons, contemporánea, mas de menor entidade, à da Península Armoricana (Bretanha), por causa da invasom anglo-saxá da Gram-Bretanha. Estabelecem-se entre o Arco Ártabro e a Terra Návia-Eu. Constituem bispado próprio no Reino Suevo e um dos seus bispos, Maeloc, participa nos dous concílios de Braga. E os seus sucessores, já após a anexaçom visigoda, nos de Toledo.

5. 550 Martinho de Dume chega à Galiza no quadro da aliança com bizantinos e francos contra os visigodos e acompanha a fase de esplendor final do Reino Suevo. Em 570, redige-se o Parrochiale Suevum, que fixa as dioceses e paróquias extensas (comarcas, as freguesias som do S.X). O monte em mao comum, em comunidade germánica, é também umha herança do período suevo.

6. 585 Anexaçom do Reino Suevo. O rei Miro apoia o príncipe visigodo Hermenegildo, mas fracassa por falta de ajuda franca e bizantina. O rei visigodo Leovigildo invade a Gallaecia e depom o derradeiro rei suevo, Audeca. O Reino Suevo passa a ser umha das três partes da Coroa Visigoda, junto à Hispánia e à Gália (Narbonense). Os reis visigodos encarregam aos seus herdeiros o governo da Gallaecia.

7. 713 Fim do Reino Visigodo, que estava dividido entre os partidários de Witiza e os de Rodrigo. Os primeiros estabelecem aliança com os mussulmanos do norte de África. Derrotada a fraçom de Rodrigo, os mussulmanos ocupam a Hispánia, mas nom a Gallaecia, partidária de Witiza, nem a Catalunha Velha, que fai parte do Reino Franco. O antiguo Reino Suevo fica num mosaico de pequenos reinos ou régulos de senhores locais que os régulos de Cangas de Onis vam consolidando por alianças ou conflitos.

8. 813 Inventio do túmulo de Santiago. Afonso II aproveita o suposto descobrimento do sartego do apóstolo para criar umha “Igreja nacional” e romper com a igreja moçárabe de Toledo, submetida ao poder mussulmano e acusada de herege. Gelmires acabará conseguindo para Compostela o título arcebispal em 1120, frente a Braga e Toledo.

9. 844. Primeiro ataque dos viquingues. Voltarám em vagas sucesivas nos anos 858, 966, 1008, 1015 e 1028. Os efeitos na Galiza, para além de destruiçons locais, serám muito menores do que noutros países da Europa atlántica. As duas primeiras vagas procediam da Irlanda, as últimas da Normandia, nelas participou o Santo Olaf norueguês e o Conde Ulf, alcunhado Galiza-Ulf.

10. 878 Afonso III atinge a integridade da Gallaecia sueva, até Coimbra, que voltará ao domínio hispánico entre 987 e 1064. O território a leste do rio Pisorga, o condado de Castela, é fonte constante de conflito com o Reino de Nafarroa e chega a fazer parte do Reino Bascom. Em 910, Ordonho II traslada a corte para Leom.

11. 987 Al-mansur invade a Galiza, coincidindo com a terceira vaga de ataques viquingues, que chegárom ao Courel e mais para leste, até serem derrotados no Campo Ramiro (Chantada). Os exércitos galegos nom podem enfrentar as duas ameaças e Compostela é arrasada.

12. 1037 Vermudo III morre na Batalha de Tamarom contra os navarros, a sua irmá e herdeira Sancha recupera Castela, casando com o conde e irmám do rei navarro, que reina com ela como Fernando I. A disputa com Nafarroa por Castela só se resolve em 1057, na Batalha de Atapuerca.

13. 1067 Divisom do Reino entre os filhos Afonso, Garcia e Sancho (apoiados polas taifas de Toledo, Badahulce-Sevilha e Saragoça respetivamente) à morte de Sancha. Afonso encadeia Garcia, e à morte de Sancho no cerco da Samora da sua irmá Urraca, reunifica o reino: “Rex tota Gallaecia”.

14. 1079 Afonso VI entra em Toledo, chamado polo rei da taifa para combater os partidários dos almorávidas. O mesmo se passa em Lisboa, perdida posteriormente, junto com partes do território de Toledo após as derrotas de Sagrajas e Uclés, onde morre o infante Sancho. Afonso conserva Toledo, onde morrerá. Nascera em Compostela.

15. 1093 Afonso VI fai a partilha da faixa ocidental do Reino entre as suas filhas Teresa e Urraca, casadas com Henrique de Lorena e Raimundo de Borgonha. À morte de Afonso VI, Urraca herdará o reino, o seu filho Afonso Raimundes terá o apoio da nobreza galega, liderada polo Conde de Trava Pedro Froilaz, e do bispo Gelmires.

16. 1111 Coroaçom de Afonso VII em Compostela. A sua mae Urraca voltara a casar com Afonso o Batalhador de Aragom, que pretende actuar como rei até a morte de Urraca em 1126. Estes conflitos levarám à futura independência de Portugal e Castela, ao se unirem os interesses nobiliários respetivos com os das sedes episcopais de Braga e Toledo.

17. 1116 Rebeliom burguesa em Compostela. Este grupo social levanta-se em defesa dos seus interesses contra os senhores laicos e eclesiásticos em cidades por todo o Reino: Sahagún 1110, Burgos e Carriom 1112, Compostela 1116-1136. Ao primeiro dos dous, corresponde a conhecida agressom à Rainha Urraca, que foge pola atual rua da Rainha. A burguesia conquista direitos e participa nas cortes de Tui 1170 (primeira na península) e Leom 1188.

18. 1128 Batalha de Sam Mamede, que significa a independência de Portugal. A nobreza de Coimbra e Braga, bem como esta Sé episcopal, agem para se emanciparem da Sé compostelana e da Corte de Leom. Escolhem Afonso Henriques, neto de Afonso VI, que derrota os partidários do seu coirmao Afonso VII nesta batalha. Em 1139 será proclamado Rei.

19. 1147 Arribada da 2ª cruzada. O contingente anglo-flamengo da 2ª cruzada, reforçado com normandos e escoceses, parte da ria de Muros e Noia, onde tinha arribado por causa dum temporal, e peregrinou a Compostela. Ajudará o rei português Afonso Henriques na conquista de Lisboa, que cairá em outubro. Este será o único sucesso da expediçom, pois fracasará o ano seguinte em Damasco. O Conde de Lemos também participou na campanha portuguesa.

20. 1157 Morte Afonso VII Divisom do Reino. Pressionado polos Trava na Galiza e os Lara em Castela, o Rei divide o reino entre os seus filhos Fernando e Sancho. Isto nom vai solucionar o conflito entre as nobrezas e os bispos galegos e castelhanos. Os dous reinos disputarám Toledo até o seguinte século. Continuam os conflitos com Portugal pola Límia e Toronho. Em 1188, Afonso VIII, filho de Fernando II, herda o Reino e reforça os concelhos contra o poder nobiliar. Ambos desenvolvêrom umha intensa atividade militar de conquista de território mussulmano.

21. 1175 Documentos mais antigos em galego. A Notícia de Fiadores e o Pacto dos Irmaos Pais, datados no mesmo ano, semelham ser os documentos mais antigos na nossa língua. Até há pouco, era tido como tal o testamento do rei Afonso II de Portugal, de 1214. E na atual Galiza o Foro do Burgo de Castro Caldelas, hoje Alhariz, outorgado por Afonso VIII em 1228. O galego é a língua de todas as classes sociais da Galiza e os documentos som redigidos nele até inícios de século XVI. Também é língua lírica de prestígio internacional entre 1189 e 1354.

22. 1230 Morte de Afonso VIII. Apesar da vontade do rei de que as suas filhas, tidas com umha princesa portuguesa, reinassem na Galiza, herda o reino o filho que tivo com a filha do seu coirmao Afonso de Castela: Fernando III, criado na Galiza, já estava a governar Castela sob a tutelagem do bispo navarro-castelhano Rui Ximénes de Rada. Este inicia umha tradiçom historiográfica tendente a apagar o nome da Galiza (que chega até hoje). O filho de Fernando III, Afonso o sábio, apoiará a Igreja contra os senhores laicos e a burguesia.

23. 1296 Joám I, rei da Galiza. Filho de Afonso o sábio, foi Rei da Galiza-Leom e Sevilha, conquistada polo seu avó. O apoio que recebia do seu sobrinho o Rei Dinis de Portugal fai com que os catelhanos temam umha confluência dos dous reinos e, em 1301, Joám acaba renunciando ao trono em favor doutro sobrinho, Fernando IV de Castela.

24. 1366 Guerra civil castelhana entre Pedro I o Justo, e o seu meio–irmao Henrique, apoiado pola grande nobreza castelhana e a alta hierarquia episcopal, decididos a defender o senhorio feudal contra a pretensom de Pedro de impor um maior controlo da Coroa. (É neste contexto que se produz o levantamento de Maria Castanha contra o bispo de Lugo). Fernando Ruiz de Castro “o da guerra”, líder dos petristas na Galiza, será despossuído dos seus títulos e possessons, e substituído polos Osório (Lemos) e a família real (Trastámara). Umha nobreza de segunda linha (Andrade, Sarmiento...) substitue os partidários derrotados de Pedro.

25. 1369-1383 Guerra de Castela contra Portugal pola uniom de Galiza e Portugal. Após a morte do Rei Pedro I, os petristas galegos acodem ao rei de Portugal Fernando I, que chega à Corunha, onde é proclamado Rei: Fernando IV da Galiza. O rei de Castela invade Portugal e a Galiza. Após a derrota de Fernando de Castro em Porto de Bois e a queda de todas as cidades que apoiavam o Rei Fernando acaba a intervençom do rei português.

26. 1386-1387 Joám de Gante Rei da Galiza. Após a retirada do Rei Português, os galegos oferecem a coroa a Joám de Gante, casado com a filha de Pedro I, Constanza, e filho do rei inglês Eduardo II. Apoiado polo Papa Urbano IV e a aliança do rei português, desembarca na Corunha sem oposiçom e é proclamado rei em Compostela. Vence os castelhanos em Rivadávia e Ourense. Mas um andaço de peste e o oferecimento dumha grande indenizaçom, mais o casamento da sua filha com o herdeiro de Castela, conseguem a retirada do contingente inglês.

27. 1466 Grande Irmandade. Um exército de 80.000 homens, dirigido por cavaleiros da baixa nobreza e burgueses, derruba a maioria das fortalezas senhoriais. Invocam a autoridade real, mas agem como um poder autónomo e independente. Em 1469, um exército senhorial reforçado por contingentes estrangeiros derrota os irmandinhos. Anteriormente, em 1431, a irmandade Fusquenlha combatera os Andrade, liderada polo fidalgo Roi Xordo.

28. 1483 Início da “Doma e castraçom” da Galiza. Em 1479, Isabel de Trastámara vence na guerra contra a sua sobrinha Joana, a “excelente senhora”. A usurpadora volta-se contra a Galiza, onde a legítima herdeira foi apoiada. Três nobres galegos resistirám à invasom castelhana: Pedro Madruga de Soutomaior acabou exilado em Portugal; O Marechal Pardo de Cela, executado em Mondonhedo; e os Condes de Lemos, que perdêrom o Berço, passando ao Conde de Benavente em 1485. Também começam os “Séculos Obscuros” no político, social, cultural e lingüístico.

29. 1589 Ataque de Drake na Corunha, em que se destacam Maria Pita e Inês de Bem. Os ingleses pretendiam destruir os navios sobreviventes ao fracasso da “Armada Invencível”. A seguir, também nom conseguírom alentar a sublevaçom contra Filipe II em Lisboa, nem capturar os Açores. Na viagem de volta, arrassárom Vigo.

30. 1617 Esquadra turca na ria de Vigo. Em 1622, a Galiza recupera o voto em Cortes em troca de 1.000.000 de ducados para a construçom dumha frota que devia proteger as nossas costas. Este compromisso nom se respeitará. Em 1623, processo contra Maria Solinha, acusada de bruxaria e condenada à confiscaçom das suas propriedades. A inquisiçom age como meio de controlo social e repressom político-ideológica.

31. 1640-1668 Guerra castelhano-portuguesa. O nosso país viu-se afetado ainda mais que até entom polas guerras do imperialismo espanhol. Esta guerra impopular levou a grandes protestos contra o recrutamento de jovens galegos a serem mandados por oficiais castelhanos. A guerra intensificou-se na raia, após a derrota espanhola na Guerra dos Trinta Anos, e acabou com a morte de Filipe IV e o reconhecemento da independência de Portugal.

32. 1719 Ataques ingleses à Galiza. Após a guerra de sucessom espanhola, a guerra voltou à raia, por fazer o nosso país parte da coroa espanhola. Os conflitos bélicos com Inglaterra continuárom durante todo o século, com destaque para os ataques que sufrêrom várias vilas e cidades costeiras no outono de 1719.

33. 1798 O Marquês de Sargadelos instala a sua fábrica na Marinha e obtém o combustível do abate do monte comunal, essencial para os camponeses mais pobres, que se revoltam contra o roubo da sua fonte de madeira e terra de pastoreio. O exército reprime-os por ser o marqués fornecedor de armas (indústria estratégica, que diríamos hoje). O povo tomará vingança ajustiçando o marquês nos dias da francesada (a versom da morte do ilustrado, que é apresentado como mártir do progresso frente ao atraso, é um bom exemplo da história escrita pola burguesia). Desde o século XVI, desflorestaçom dos montes galegos para as armadas espanholas.

34. 1809 Francesada. As tropas francesas invadem a Galiza em janeiro, perseguindo o exército inglês até a Corunha, e saem derrotadas em junho, após a queda de Vigo, Tui e outras guarniçons. Para além das guerrilhas, na Galiza construírom-se milícias segundo a organizaçom parroquial e comarcal, que enfrentárom as tropas francesas em campo aberto dirigidas por líderes como Bernardo Gonçales Cachamuinha. Às vezes, resultando em esmagadoras derrotas, como em Ribadávia, ou em grandes vitórias como em Ponte Sam Paio.

35. 1810 Revolta operária no arsenal Ferrol. Trabalhadoras e trabalhadores amotinam-se contra o desemprego e a falta de pagamento de ordenados em atraso, assaltam o arsenal e matam o general Vargas, responsável pola crise. Umha trabalhadora viúva, Antónia de Alarcom, é enforcada na Corunha. A sua cabeça é exposta na Porta do Sino no Arsenal durante dias.

36. 1833 Divisom provincial do que ficava do Reino da Galiza, o Berço passa à província de Leom. Os concelhos de Porto, Luviám, Ermisende e Pias a Samora. Em 1864 é dividido o Couto Misto e os “povos promíscuos” da raia. Desaparece a Junta do Reino da Galiza, fundada em 1528, órgao consultivo governado pola fidalguia.

37. 1834-1840 Guerrilhas carlistas. Nom tenhem a importáncia que tivérom noutras partes do Estado espanhol. A desamortizaçom nom afetou as rendas forais cobradas polas terras, que passam à burguesia e aos fidalgos. Os labregos mantenhem o domínio das terras, ao contrário do que se passou na Espanha latifundista, onde fôrom despossuídos. Só o clero e alguns fidalgos sustentam o carlismo.

38. 1846 Revoluçom Progressista. Pronunciamento do Comandante Solis, militar liberal progresista, em Lugo, secundado por outras guarniçons e o provincialismo galego. O governo conservador de Narváez envia tropas. Derrota dos sublevados em Cacheiras, combates em Compostela e rendiçom. Os oficiais derrotados serám fusilados caminho da Corunha, em Carral. Antolin Faraldo, secretário da Junta de Governo Provisória Galega, sai para o exílio.

39. 1847 Crise de subsistências. As más colheitas deste ano pioram o colapso estrutural da agricultura tradicional, que a escassa industrializaçom nom pode compensar. A fome generalizada volta em 1855. O excedente populacional começa a sair de jeito maciço para a emigraçom em vagas sucesivas, que chegam até aos nossos dias, provocando o envelhecimento da populaçom.

40. 1856 Banquete de Conxo. Jantar de fraternidade de trabalhadores, estudantes e inteletuais em homenagem aos Mártires de Carral. Os primeiros regionalistas rendem homenagem aos provincialistas. Condenado polo bispo e vigilado polas forças repressivas (160 anos nom som nada).

41. 1863 Cantares Gallegos. Data senlheira do Rexurdimento que comemoramos nos nossos dias. Com Rosalia, Curros e Pondal a língua recupera o uso literário no nosso país e assume um marcado compromisso social, e reivindicaçom nacional no caso de Pondal. Para além do literário ou filológico (ao descobrir a literatura medieval), também assentam as bases da historiografia galega (Murguia, Vicetto, López Ferreiro, Cuevillas).

42. 1901 Segunda das greves gerais na Corunha (1891,1903). Os disparos das forças repressivas figérom 8 mortos e dúzias de feridos. Em 1910 funda-se Acción Gallega, para a luita contra o caciquismo e a redençom dos foros, em que salienta o padre Basílio Álvarez. O sangue dos mártires de Sobredo é o preço desta luita. Em 1926, som redimidos forçosamente os foros, que nom abolidos, como @s labreg@s exigiam.

43. 1916 Irmandades da Fala, nascimento do galeguismo nacionalista. António Vilar Ponte impulsiona a primeira na Corunha, que funda o jornal “A Nosa Terra”. Organizam-se outras por todo o País e, em 1918, convoca-se a Assembleia Nacionalista de Lugo. 1920 Geraçom Nós. O Seminário de Estudos Galegos e a Editorial Lar mantenhem a actividade cultural durante a ditadura primorriverista.

44. 1931 Partido Galeguista. Teoricamente soberanista mas tacticamente federalista, dirige a sua atividade à aprovaçom do Estatuto de Autonomia.

I República Galega. O Governo republicano espanhol quer paralisar as obras do ferrocarril de Samora-Ourense-Compostela, despedindo os 12.000 operários. A 27 de junho, umha manifestaçom e posterior assembleia em Compostela nomeia Alonso Rios Presidente do Governo Provisório do Estado galego. Em 1932, greve de 23 dias em Ferrol e 3 dias na Galiza, por despedimentos no estaleiro. Greve dos trabalhadores do mar.

45. 1936 Aprovaçom do estatuto. O texto impulsionado por Alexandre Bóveda tinha sido aprovado numha assembleia de municípios em 1932. Nom foi votado em referendo nesta altura, pola oposiçom da ORGA, o PSOE e Acción Republicana. Em 1933, o governo da CEDA desterra Castelao e Bóveda. A consulta realiza-se em junho de 1936. Nom entrará em vigor polo golpe fascista e nom será aprovado pola República espanhola até 1945, nas cortes do exílio, no México. Em 1943, constitui-se em Buenos Aires o Conselho da Galiza, o Governo galego no exílio.

46. 1946 Início do declínio da actividade guerrilheira com o ataque à “Cidade da Selva” de Casaio, a morte em combate de Ponte em 1947 e a queda de Gomes Gaioso na Corunha em 1948. O PCE decide o abandono da luita. Em 1952, a queda de Foucelhas marca o fim da acçom da guerrilha antifranquista, apesar da sobrevivência de alguns guerrilheiros. Calcula-se em 300 o número de guerrilheiros mortos em açom e em 5.000 o resto de pessoas assassinadas polos fascistas.

47. 1964 Fundaçom da UPG. A reconstruçom do nacionalismo envereda polo marxismo e polo anti-imperialismo. Com implantaçom no mundo da cultura e na universidade, funda a organizaçom estudantil ERGA em 1972 e pom as bases para o sindicalismo galego que cristalizará no SOG em 1975, e sucessivamente na ING, ING-CTG, INTG-CSG-CXT e CIG. A UPG conflui com o PSG na AN-PG, que posteriormente se refundará como BNG.

48. 1972 Greve em Março em Ferrol, reivindica um convénio provincial contra o convénio estatal, negociado polo sindicato vertical franquista. Dous mortos e dúzias de feridos e despedidos. O Conflito de Setembro em Vigo atinge ainda maior dimensom, com 30.000 pessoas em greve e centenas de despedimentos. 1968 Greve estudantil na USC. A contestaçom ao roubo de terras começara em 1965 em Castrelo de Minho, e continua nos conflitos de Maçaricos, Encrovas e Baldaio, e contra central nuclear em Jove. Em 1975, é assassinado o ativista Moncho Reboiras.

49. 1976 Conselho de forças políticas galegas. Elabora as Bases Constitucionais da Naçom Galega, que apostavam na rutura democrática contra a transiçom controlada polo franquismo reconvertido e o resto das forças sistémicas da segunda Restauraçom bourbónica, e o projeto autonómico do “café para todos”, para desativar as reivindicaçons de soberania das naçons sem Estado.

50. 1986 A entrada do Estado espanhol na CEE fai-se à custa dos setores produtivos galegos. No agro, as tratoradas som a forma de mobilizaçom contra a ruína do setor agro-pecuário. Em 1984, o sindicalismo galego convoca três greves gerais contra a reconversom industrial. Esse mesmo ano, a ultradireita espanholista tenta manipular a figura de Castelao, traguendo os seus restos contra a vontade expresa do patriota. Produzem-se confrontos com as forças repressivas. 1995 Fim do accionar armado do EGPGC, após a atividade 15 anos antes do LAR.

Última modificação emTerça, 19 Julho 2016 12:00
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