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O presidente da AGAL publica no Boletín da RAG: confusom conceptual e sofisma binormativista

O presidente da AGAL publica no Boletín da RAG: confusom conceptual e sofisma binormativista

Destaque

Carlos Garrido

Comissom Lingüística da AEG/Universidade de Vigo

O atual presidente da Associaçom Galega da Língua (AGAL), Eduardo Maragoto, publica no número mais recente do Boletín da Real Academia Galega, descarregável no sítio internético deste organismo, a comunicaçom que, no ano passado, apresentou durante as jornadas académicas de homenagem a Ricardo Carvalho Calero realizadas por ocasiom do Dia das Letras Galegas («Do ideário de Ricardo Carvalho Calero ao Reintegracionismo do século XXI», Boletín da Real Academia Galega, 381: 239-259). Esta é umha grata notícia, e damos os parabéns a Eduardo Maragoto e, em especial, à RAG por terem tornado possível este facto sem precedente e de «país civilizado»: que um reintegracionista escreva, sem censura, em galego-português, numha publicaçom da RAG (e que previamente tenha sido convidado para falar num ato da RAG). Igualmente felicitamos o Prof. Martinho Monteiro Santalha, e polo mesmo motivo, porque a sua contribuiçom àquelas jornadas, «O decénio final na biografia de Carvalho Calero (1980-1990)», escrita em padrom lusitano, também vem a lume neste último número do Boletín da RAG.

Assim como aconselhamos vivamente, sem reservas, a leitura dessa valiosa comunicaçom de Monteiro Santalha, em que se oferecem testemunhos de primeira mao sobre as vicissitudes da vida intelectual de Carvalho Calero durante o decénio anterior ao seu falecimento, o mesmo nom podemos dizer, infelizmente, do contributo de Eduardo Maragoto. Com efeito, o texto deste —nom de forma surpreendente, conforme explicaremos adiante—, se se mostra correto e instrutivo ao realizar umha síntese dos antecedentes, fundamentos e características do ideário reintegracionista de Carvalho Calero (secçons 1–4 do artigo), já na sua parte quinta, intitulada «Novos cenários pós-Carvalho» (pág. 253-255), e sexta, de título «Em jeito de conclusom: do gradualismo ao binormativismo» (pág. 255-257), ao entregar-se a interpretaçons pessoais, manifesta espessa confusom conceptual, a qual, nalguns pontos, como veremos, mesmo desliza para a categoria de sofisma. Aqui, o sofisma de Eduardo Maragoto persegue dotar (com pouco sucesso) de aparência racional e razoável o (mal) chamado «binormativismo», ou seja, aquele programa, de caráter disruptivo com a tradiçom reintegracionista e de sinal claudicante frente ao isolacionismo, em que a atual diretiva da AGAL embarcou esta venerável associaçom nos últimos tempos. Precisamente, desfazermos a confusom conceptual e expormos os sofismas presentes em tal trabalho constitui o objetivo destas linhas, que destinamos principalmente à comunicaçom intra ou inter-reintegracionista, e que, polo meio em que som publicadas, é muito provável que nom venham a gozar da mesma grande difusom que ao ideólogo do «binormativismo» empresta a tribuna do organismo oficialista.

À partida, e antes de analisarmos o texto de Eduardo Maragoto, permita-se-nos umha explicaçom, de proporçons um pouco generosas, respeitante a conceitos básicos de reintegracionismo, e umha pequena crónica do evoluir da maior associaçom reintegracionista nos últimos anos. Esta introduçom permitirá compreender cabalmente as apreciaçons posteriores focadas na confusom conceptual veiculada no texto do atual presidente da AGAL. Desde o decénio de 1980, o reintegracionismo manifesta-se articulado em duas correntes, que podem denominar-se de padrom galego, ou coordenacionista, umha, e de padrom lusitano, ou subordinacionista, a outra. A corrente coordenacionista aspira a estabelecer no galego, enquanto variedade geográfica, ou nacional, do galego-português, um padrom autóctone (prosódico, ortográfico, morfológico, morfossintático e lexical) fortemente solidário, estreitamente coordenado, com os padrons lusitano e brasileiro, mas a respeito deles mantendo suficiente autonomia para incorporar legítimos e significativos particularismos prosódicos, morfológicos, morfossintáticos e lexicais (mas nom, em geral, ortográficos!) próprios do galego-português da Galiza (galaicismos, da mesma maneira que os padrons de Portugal [com lusitanismos] e do Brasil [com brasileirismos] nom coincidem plenamente entre si); por seu turno, os representantes do reintegracionismo de padrom lusitano, ou subordinacionista, nom acham rendível utilizar na Galiza um padrom lingüístico diferenciado do de Portugal, exceto polo que di respeito à prosódia (= pronúncia) e —eventualmente, quando muito— a um número extremamente reduzido de particularismos das outras categorias, de modo que, a esse respeito, esta corrente subordina, excluindo do padrom lingüístico utilizado na Galiza, grande parte das legítimas e significativas peculiaridades galegas. Fique claro neste ponto que, apesar de nós sermos firmes partidários do reintegracionismo coordenacionista, e de descrevermos o reintegracionismo subordinacionista, de forma objetiva, referindo-nos ao facto de ele renunciar a levar à língua formal particularidades galegas legítimas (e ainda significativas), tal nom implica que consideremos esta opçom como ilegítima, antes, polo contrário, plenamente legítima e nom carente das suas razons e vantagens, embora estas nom nos pareçam suficientes (polo menos, nas atuais circunstáncias sociopolíticas, em que a Galiza e Portugal pertencem a Estados diferentes) para renunciarmos a configurar um padrom nacional galego no seio da Lusofonia (ou Galaicofonia). Por outro lado, um cidadao culto e culturizado no padrom galego reintegracionista, por formaçom, nom pode deixar de ser bom conhecedor, em simultáneo, do padrom lusitano (e ainda do brasileiro).

É importante salientarmos que o que essencialmente diferencia entre si os reintegracionismos coordenacionista e subordinacionista nom som tanto as diversas soluçons concretas adotadas, como o facto de o primeiro reservar para a Galiza potestade codificadora dentro da Lusofonia, potestade que efetivamente exerce, enquanto o segundo renuncia a tal potestade para a Galiza, nom se mostrando interessado, em todo o caso, em exercê-la de forma efetiva. Neste quadro conceptual, e estabelecendo um paralelismo com a organizaçom política, é claro que, a respeito do padrom ou norma lusitana (de Portugal), o reintegracionismo subordinacionista se manifesta como provincialista; o reintegracionismo coordenacionista, como (con)federalista ou autonomista, e o isolacionismo (hoje, oficialismo), como secessionista.

Neste ponto, podemos recorrer a um exemplo prático, para o leitor ainda nom cabal conhecedor da teoria reintegracionista poder entender com facilidade os conceitos enunciados:

1. Norma ou padrom galego reintegracionista = norma ou padrom do reintegracionismo coordenacionista: «Para desgraça do António, os ratos, os escaravelhos e os saltons estabelecêrom-se na plantaçom, o seu ganha-pam, e logo dérom cabo dela.»

2. Norma ou padrom lusitano = norma ou padrom do reintegracionismo subordinacionista: «Para desgraça do António, os ratos, os besouros e os gafanhotos estabeleceram-se na plantação, o seu ganha-pão, e logo deram cabo dela.»

3. Norma ou padrom brasileiro: «Para desgraça do Antônio, os camundongos, os besouros e os gafanhotos se estabeleceram na plantação, seu ganha-pão, e logo deram cabo dela.»

Vemos neste exemplo que se trata de um enunciado em três variantes (lingüísticas), as quais correspondem a três variedades geográficas do galego-português: galega, lusitana e brasileira (apesar daquilo que Eduardo Maragoto afirma no seu artigo, nom há, na realidade, «português padrão», mas, no seio do galego-português, padrom de Portugal, padrom do Brasil, padrom da Galiza; nos enunciados surgem sublinhados os traços morfológicos, morfossintáticos e lexicais que, em cada caso, constituem particularismos frente às outras duas normas [no caso dos traços prosódicos, só umha muito reduzida fraçom deles aflora na escrita, e aqui só aflora um, respeitante ao grau de abertura do primeiro o em António/Antônio]). É importante termos em conta que, nos três casos, se utiliza a mesma ortografia, a histórico-etimológica do galego-português conforme ela tem vindo a ser atualizada no ámbito luso-brasileiro (e, secundariamente, também no galego). Assim, que na norma galega surja pam, e nom pão, e plantaçom, e nom plantação, nom é por causa de no padrom reintegracionista galego se utilizar umha ortografia diferente da luso-brasileira, pois trata-se da mesma ortografia; a diferença que aqui se manifesta na terminaçom destas duas palavras é, na realidade, de natureza morfológica, nom ortográfica, e provém da circunstáncia de em galego se conservarem as terminaçons -ám (pamcapitám), -om (plantaçom) e -ao (irmao) diferenciadas, sem que se tenha produzido a convergência em -ão típica dos ámbitos lusitano e brasileiro (as terminaçons de pãoplantação e irmão soam igual nas variedades lusitana e brasileira) [1]. No caso do reintegracionismo subordinacionista, e deixando de parte a prosódia, o seu padrom coincide totalmente (ou, dependendo de que autor for considerado, quase totalmente) com o padrom lusitano, utilizado em Portugal. Para tal, como vemos, o utente galego do padrom lusitano tem de renunciar a utilizar na língua formal legítimos e significativos particularismos galegos de natureza morfológica (como a representaçom gráfica das diferentes terminaçons -ám, -om e -ao e a oposiçom entre as formas estabelecêrom [pretérito perfeito] e estabeleceram [pretérito mais-que-perfeito], dérom [pretérito perfeito] e deram [mais-que-perfeito]) [2] e de natureza lexical (utilizaçom de escaravelho como vocábulo único com o sentido geral de ‘coleóptero’; utilizaçom de saltom como vocábulo único com o sentido de ‘ortóptero acridídeo’) [3].

Umha vez esclarecidas estas noçons básicas sobre reintegracionismo —as quais, infelizmente, surgem baralhadas, por ignoráncia ou de forma interesseira, em muitos textos—, diga-se que o reintegracionismo de padrom lusitano foi tradicionalmente propugnado, desde o decénio de 1980, por coletivos como a Associação de Amizade Galiza-Portugal, as Irmandades da Fala da Galiza e Portugal e, desde 2008, pola Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP). Como corresponde à preferência padronizadora acima explicada, nengumha destas entidades, nem sequer a AGLP, se preocupou nunca de estabelecer e de regular um padrom próprio (autóctone da Galiza), pois eram e som partidárias de apenas difundir entre nós o uso do padrom (escrito) lusitano, estabelecido e regulado em Portugal. Em contraste, desde a sua fundaçom em 1981, e «de maos dadas» com a teoria e a praxe desenvolvidas por Ricardo Carvalho Calero ao longo do último decénio da sua vida, a Associaçom Galega da Língua (AGAL) revelou-se firme partidária de um padrom galego reintegracionista, de orientaçom coordenacionista, para o que instituiu no seu seio um organismo de caráter académico e codificador, a Comissom Lingüística da AGAL (CL-AGAL). A CL-AGAL, conforme esse desígnio, lançou em 1983 um Estudo Crítico das «Normas Ortográficas e Morfolóxicas do Idioma Galego» (ILG-RAG, 1982) (2.ª ed., 1989); em 1985, um Prontuário Ortográfico Galego; em 1988, um Guia Prático de Verbos Galegos Conjugados; em 1989, um «Relatório da Comissom Lingüística» que estabelece um uso restrito e facultativo do til (Agália, 19: 368-370); em 2010, umha Atualizaçom da Normativa Ortográfica da Comissom Lingüística da AGAL Conforme o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, e, em 2012, O Modelo Lexical Galego: Fundamentos da Codificaçom Lexical do Galego-Português da Galiza, além de diversos outros textos codificadores sobre toponímia, terminologia, etc.

Como se aprecia na anterior lista de documentos codificadores elaborados pola CL-AGAL ao longo do tempo, em 2010 a Comissom atualiza a ortografia do galego para a adequar ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO-1990), que havia pouco tempo que fora posto em vigor, após um prolongado período de latência, em Portugal e no Brasil. Este acordo ortográfico revelou-se, sem dúvida, de grande interesse para a nossa língua, devido a que, sobretodo, regularizou o uso do hífen ou traço de uniom e unificou entre o galego-português europeu e o americano a representaçom dos grupos consonánticos (p. ex., a palavra atividade [na qual, na língua culta e genuína, entre o primeiro a e o t nom soa nengum fonema], antes da aplicaçom do acordo, era grafada assim no Brasil, mas actividade, com um cê mudo, em Portugal e na norma galega reintegracionista; após o acordo, a grafia unificada, de critério fónico, nom etimológico, passa a ser atividade nas três normas); no entanto, de um ponto de vista quantitativo, tal acordo ortográfico pouco modificava a ortografia das três variedades do galego-português e, em qualquer caso, nom afetava, nem afeta, um traço morfológico, e morfográfico, como é a ocorrência da terminaçom -ão constante em lusitano e brasileiro, e de -ám, -om e -ao em galego e no padrom galego reintegracionista. Precisamente, esta última circunstáncia nom quijo ser entendida por muitos representantes do reintegracionismo subordinacionista, que aproveitárom a entrada em vigor em Portugal e no Brasil do AO-1990 para tentarem engadar reintegracionistas de pouca formaçom lingüística e levá-los, com o argumento de já terem caído as discordáncias ortográficas entre o Brasil e Portugal, a abandonar o coordenacionismo e a abraçar o subordinacionismo, cousa que, infelizmente, em nom poucos casos, conseguírom. Mas, se tal argumento fosse verdadeiro, entom teríamos de admitir que a única razom para essas pessoas terem utilizado até entom na escrita do galego formas terminadas em -om, e nom em -ão, era que em Portugal se escrevia actividade, e no Brasil atividade! Enfim, um sem-sentido!

Como se vê, difícil é exagerar a releváncia da Comissom Lingüística da AGAL no seio da AGAL e do Reintegracionismo, porquanto esse órgao académico, integrado por técnicos da língua, ficou incumbido de impugnar tecnicamente o padrom isolacionista e de propor umha alternativa reintegracionista de caráter coordenacionista (como fica manifesto já na denominaçom da AGAL, que é Associaçom, e nom Associação), ou seja, de elaborar um padrom coerente, científico e independente que abrangesse, na medida do possível, todos os domínios da codificaçom lingüística. Desde as origens da AGAL, e de acordo com os fins associativos (e as explícitas disposiçons estatutárias), a açom da Associaçom e da sua diretiva (o chamado Conselho da AGAL) foi sempre, naturalmente, no sentido de pôr em prática e difundir por todos os meios disponíveis o padrom coordenacionista elaborado e regulado pola sua Comissom Lingüística. Incompreensivelmente, após a presidência da AGAL exercida por Bernardo Penabade (2001-2007), que sucedeu à muito dilatada de Maria do Carmo Henríquez (1982-2001), as posteriores diretivas da Associaçom —conduzidas por pessoas com desapego, mais ou menos marcado, polo reintegracionismo de padrom galego— fôrom distanciando-se progressivamente da Comissom Lingüística, e no seio da AGAL fôrom sendo cada vez mais freqüentes os desprezos e desacatos votados à codificaçom da sua CL. Tal desconsideraçom, antiestatutária e falta de umha mínima lealdade associativa, culminou em 2015, quando umha AGAL conduzida por Valentim Fagim e Eduardo Maragoto, de costas à Comissom Lingüística (de que os dous faziam parte!), promoveu entre a massa associativa umha moçom denominada de «aglutinação/aglutinaçom normativa», que demandava da Comissom Lingüística —e sem umha prévia modificaçom dos estatutos da associaçom!— a substituiçom da sua histórica codificaçom, coordenacionista e coerente, por umha outra, híbrida e incoerente, que integrasse «num único padrom» as normas lusitana e galega reintegracionista. Tal disparatada moçom (realmente, de «dissoluçom normativa»!), se bem que fosse apresentada como soluçom integradora para superar a divisom normativa entre reintegracionistas, na realidade, é fácil vê-lo, perseguia outros objetivos, como era cancelar a produçom codificadora da CL-AGAL (numha linha coordenacionista), e, como pouco depois se tornou evidente, facilitar o caminho ao disparatado projeto que a novíssima AGAL viria a crismar como «binormativismo». É claro que se o verdadeiro desígnio da diretiva da AGAL conduzida por Valentim Fagim e Eduardo Maragoto tivesse sido nessa altura o de favorecer no seio da associaçom o convívio entre as duas correntes reintegracionistas, para tal teria bastado promover umha modificaçom dos estatutos da associaçom no sentido de se estabelecer um regime equilibrado das duas normas, sem necessidade de desautorizar, humilhar e levar à dissoluçom efetiva a histórica e ainda produtiva CL, como aqueles figérom. Umha eventual modificaçom dos estatutos no sentido apontado, numha associaçom com a trajetória da AGAL, nom teria deixado de apresentar, também, aspetos de duvidosa ética associativa, mas, em todo o caso, nom teria sido tam traumática nem teria representado o indecente atropelo, humano e institucional, que afinal se consumou.

Assim, em setembro de 2015, a Assembleia da AGAL, junto com a candidatura única à diretiva da Associaçom encabeçada por Eduardo Maragoto, votou, com avultada maioria, a favor da moçom da «aglutinação/aglutinaçom normativa», a despeito do parecer contrário, previamente expresso, da maioria da Comissom Lingüística [4]. Já a 19 de dezembro de 2015, a Comissom Lingüística da AGAL, ao ser-lhe apresentada formalmente a moçom de dissoluçom normativa aprovada pola Assembleia, por ampla maioria rejeitou a «aglutinação/aglutinaçom normativa», e, ato contínuo, o presidente da CL (que era quem agora subscreve estas palavras) apresentou a sua demissom, como também o figérom os membros da Comissom Beatriz Bieites Peres, Maurício Castro Lopes e Paulo Valério Árias (este, membro-fundador da CL). A partir daí, a CL, impedida de atuar por falta de quorum, ficou, em palavras do novo presidente da AGAL, «congelada polo Conselho», o que, em janeiro de 2016, suscitou o indignado protesto dos membros José António Souto Cabo e José Luís Rodrigues e a demissom do Secretário da Comissom, Jorge Rodrigues Gomes.

Deste modo concluiu o percurso da histórica e ainda produtiva Comissom Lingüística da AGAL. A partir daí, a nova diretiva da Associaçom, conduzida pola dupla Maragoto-Fagim, manobrou para transformar a CL «congelada polo Conselho» numha Comissom Lingüística ad hoc, já sem qualquer autonomia a respeito da diretiva e, sobretodo, sem vida nem capacidade codificadora, cuja única funçom será assinar o texto executor da aberrante dissoluçom normativa (sub specie «aglutinação/aglutinaçom normativa»), intitulado Ortografia Galega Moderna: Confluente com o Português no Mundo (2016) [5].

No entanto, ao demitirem-se perante a dissoluçom normativa promovida pola diretiva da novíssima AGAL, a maior parte dos membros da CL-AGAL empenhados no ideário coordenacionista comprometêrom-se formalmente a fazerem todo o possível para nom deixarem sem cobertura científico-institucional os usos sociais do padrom galego reintegracionista, o que eles vinhérom a cumprir em novembro de 2016, com a fundaçom da Associaçom de Estudos Galegos (AEG), presidida por Joám Lopes Facal, e que inclui umha nova Comissom Lingüística, estatutariamente devotada à manutençom, regulaçom e desenvolvimento do padrom galego reintegracionista historicamente elaborado pola CL-AGAL. No que leva de existência, a CL-AEG, apesar das limitaçons pessoais e materiais padecidas, lançou, entre outros documentos, um Compêndio Atualizado das Normas Ortográficas e Morfológicas do Galego-Português da Galiza (2017), um Prontuário de Apelidos Galegos (2019), um Dicionário Galego do Futebol: Galego-Português, Espanhol, Inglês, Alemám (2016) e um Dicionário Galego do Basquetebol: Galego-Português, Espanhol, Inglês (2016).

Voltando —após este exórdio sobre noçons-chave de reintegracionismo e sobre um capítulo da história recente do movimento— ao artigo de Eduardo Maragoto publicado pola RAG, cabe dizer que, já de um ponto de vista formal, se patenteia que ele foi escrito na seqüência dos traumáticos acontecimentos que desembocárom na desapariçom forçosa da histórica CL-AGAL, na resultante dissoluçom normativa plasmada no volume Ortografia Galega Moderna: Confluente com o Português no Mundo e no subseqüente lançamento da proposta de «binormativismo»: por um lado, transparece no artigo um rechamante desapego pola CL-AGAL, umha vez que o autor, ao referir-se à produçom codificadora do reintegracionismo, apenas menciona o Estudo Crítico, e nom os subseguintes, e fundamentais, textos codificadores da Comissom (pág. 246, 257), e, além disso, sem atribuir a autoria de tal documento à Comissom Lingüística, mas apenas à AGAL, de forma genérica, o que nom deixa de constituir, aliás, umha notável falta de rigor num autor académico [6]; por outro lado, o modelo de galego, de natureza frankensteiniana, em que Eduardo Maragoto redige o seu texto parece recém-saído da máquina caça-níqueis, tipo «multifrutas», que, como apontamos, ilustra a capa do livro da dissoluçom normativa: se, no capítulo da morfologia nominal, a sua escrita reflete a distinçom do galego entre as terminaçons -ám, -om e -ao, no caso da morfologia verbal, ela já nom reflete a diferenciaçom galega entre pretéritos perfeitos e mais-que-perfeitos (assim, p. ex., na pág. 253, escreve «alteraram» em vez de «alterárom», e na pág. 255, «foram» em vez de «fôrom»). Mas nom som os traços formais do artigo do atual presidente da AGAL que aqui mais nos interessa criticar, mas algumhas das ideias nele veiculadas, as quais, como a seguir veremos, nom podem surgir senom de confusom conceptual ou do desejo de confundir.

Acerta Eduardo Maragoto ao falar na sua comunicaçom do galeguismo inerente ao ideário reintegracionista de Carvalho Calero (pág. 251-252) —ou seja, da sua inequívoca preferência por um reintegracionismo coordenacionista, de padrom galego autónomo dentro da Lusofonia—, mas, ao mesmo tempo, na pág. 251, abre a sua exposiçom desta questom com umha fórmula que indevida e interesseiramente parece rebaixar tal coordenacionismo ou autonomismo carvalhano: «O autor ferrolano nunca deixará de defender certa autonomia do galego no âmbito lusófono, sobretudo na oralidade, ainda que mostrando-se cada vez mais claro em relaçom à necessidade de uma ortografia o mais unificada possível.». Certa autonomia do galego? Sobretodo na oralidade? A partir da forma e do fundo do legado escrito que nos deixou Carvalho, é evidente que a autonomia padronizadora que ele desejava para o galego no seio da Lusofonia é substancial e, em todo o caso, ultrapassa de longe o meramente prosódico, para interessar, também, os domínios da morfologia (nominal, verbal) e do léxico. Para verificarmos isto, chega com transcrevermos, como o atual presidente da AGAL convenientemente fai no seu relatório, o seguinte excerto, proveniente das pág. 44-45 de Do Galego e da Galiza:

A meu juízo, esta reintegraçom dentro do seu sistema originário do galego, nom tem por que supor a substituiçom das suas formas peculiares polas do português normativo. Hai dentro do hispânico ocidental muitas falas, e nom se trata de promover umha substituiçom de umha delas por outra com mais prestígio oficial. Sem prejuízo de que a osmose natural exerça o seu imprevisível papel, devemos partir de que a unidade lingüística galego-portuguesa nom supom uniformi­dade burocrática. Temos traços fonológicos e morfológicos que nom podem ser reprimidos, a reserva do seu destino no livre jogo do intercâmbio cultural. Mas na medida do passível [sic], e sempre que por circunstâncias socio-históricas nom se ponha em perigo a autenticidade das realizaçons, umha ortografia coordenada deve cobrir a representaçom escrita da língua comum, como ocorre no caso das demais línguas de cultura. [7]

Quando Eduardo Maragoto erra patentemente em relaçom ao reintegracionismo de Carvalho Calero, e com indícios de o fazer para servir os interesses do reintegracionismo subordinacionista, é ao afirmar, na página 255, que «Pola sua prática gráfica, vê-se que Carvalho se mantivo prudente na hora de realizar mudanças estratégicas derivadas desses Acordos [ortográficos da língua portuguesa], mas o facto de ter fale­cido meses antes da assinatura do Acordo de 90 (e dezanove anos antes da sua entrada em vigor) nom nos permite tirar conclusões definitivas quanto a isto.». Aqui, incrivelmente, o presidente da AGAL, que é professor de português numha escola oficial de idiomas, parece ignorar aquilo que no nosso exórdio, destinado a nom lingüistas, explicávamos: que Carvalho Calero, como o resto dos reintegracionistas de padrom galego, utilizava a mesma ortografia, afora miudezas (como o trema), que era usada no galego-português de Portugal naquela altura, pois a representaçom na escrita formal das terminaçons galegas -ám e -om (e -ao) —a que Maragoto aí implicitamente se refere— nom constitui um traço ortográfico, mas morfológico (ou morfográfico), e, de facto, o AO-1990, como os anteriores, nada prescreve em relaçom a tal assunto. Aliás, para afiançarmos a convicçom de que Carvalho era firme partidário de um padrom galego coordenacionista, e de um padrom que incluísse a representaçom diferenciada das terminaçons -ám, -om e -ao, chega com repararmos em que ele publicou em Lisboa o livro Problemas da Língua Galega (na coleçom «Noroeste» da Sá da Costa Editora, codirigida por Rodrigues Lapa) num modelo gráfico de galego (coordenacionista) que refletia tais traços morfológicos.

Também se engana o presidente da novíssima AGAL, a nosso juízo, quando, na comunicaçom em causa, entre os «novos cenários pós-Carvalho» (secçom 5, pág. 253–255), enquadra «A meta da plena integraçom no português, mais clara». Com efeito, por um lado, Carvalho Calero, e com ele o reintegracionismo coordenacionista do seu tempo —como também o do nosso (orientado pola Comissom Lingüística da AEG)—, tinha perfeitamente clara para o galego a meta da plena integraçom no português, ou galego-português, sem que acontecimentos posteriores, e atuais, tenham incrementado em absoluto a nitidez com que se pode enxergar tal objetivo. É verdade que o surgimento da internet e a crescente mundializaçom tenhem facilitado ultimamente aos galegos o contacto com as variedades lusitana e brasileira (entre outras) da língua, mas tal circunstáncia nom aumenta a clareza com que o reintegracionismo visa hoje o objetivo da reintegraçom do galego no seu ámbito idiomático natural, e para Carvalho tal objetivo já estava definido com plena nitidez. Por outro lado, se o que o presidente da novíssima AGAL, com tal fórmula, quer significar é que hoje, entre os reintegracionistas, há mais partidários do padrom lusitano do que no tempo de Carvalho, e que estes som os que realizam a plena (re)integraçom do galego no galego-português, entom devemos responder-lhe que também o coordenacionismo efetua umha plena (re)integraçom do galego no galego-português, e talvez, de facto, ele seja o único reintegracionismo que a realize, porque o subordinacionismo, afinal de contas, aquilo que fai nom é (re)integrar o galego no galego-português, mas subsumi-lo no lusitano [8].

Eduardo Maragoto também escorrega ao opor, na secçom 6 do seu artigo (pág. 255-257), o «gradualismo» de Carvalho Calero ao «binormativismo» proposto pola novíssima AGAL. Realmente, o contraste que aqui deve estabelecer-se é entre a livre (e ordenada) concorrência das normas do galego no seio da sociedade (com o horizonte da decantaçom de umha nítida preferência social a médio prazo), que Carvalho Calero defendia, e o «binormativismo» engenhado pola atual diretiva da AGAL. Essa é a verdadeira oposiçom, porque ela contrasta umha estratégia sensata, integradora e que hoje (como onte) razoavelmente deveria contar com a adesom do poder político e cultural do nosso país, a primeira, com umha estratégia à nascença aberrante, nom integradora e que é ingénuo esperar que seja aceitada polo poder político e cultural hodierno.

Quanto à livre concorrência das normas do galego em presença, que agora som três (a isolacionista ou secessionista [9], a reintegracionista de padrom galego e a reintegracionista de padrom lusitano), sensatamente reclamada por Carvalho Calero, diga-se que se trata de umha estratégia que teria garantida umha resoluçom efetiva a médio prazo e que, no seu desenvolvimento, se revelaria socialmente inclusiva e enriquecedora. Para a pôr em prática, o poder político e cultural teria de deixar de discriminar o reintegracionismo —o que, já agora, representaria umha medida civilizatória básica—, teria de realizar um pequeno esforço de esclarecimento lingüístico da populaçom e incorporar ao ensino e à formaçom profissional (nos diferentes ámbitos) um acervo ampliado de conhecimentos lingüísticos (em paralelo com o fomento geral do ensino e da aprendizagem do português [lusitano e brasileiro], idealmente integrados com a docência de galego), que, polo menos, proporcionassem aos cidadaos da Galiza umha mínima familiarizaçom com as normas reintegracionistas e, nos casos precisos, umha capacidade de receçom elementar.

Parece hoje utópico ao leitor esse plano, já concebido por Carvalho Calero? Pois olhe agora o que representaria a execuçom do plano de «binormativismo» patrocinado pola novíssima AGAL, e que Eduardo Maragoto apregoa na secçom final do seu artigo. Para já, o «binormativismo» nasce viciado, porque pretende fazer passar por unificados numha única norma o padrom galego reintegracionista e o padrom lusitano, o que, como já explicamos, é falso, porque da «aglutinação/aglutinaçom normativa» na realidade apenas resultou umha incoerente e caótica mistura de normas [10]. Mas, além do mais, a execuçom do plano do «binormativismo» exigiria nada menos que umha declaraçom de cooficialidade, junto com o padrom isolacionista, para as duas normas reintegracionistas —com todas as disposiçons legais que isso implicaria—, o que, numha tática que parece condenada de antemao ao fracasso, a atual diretiva da AGAL ensaia tentando aliciar o organismo criador, regulador e patrocinador da norma isolacionista, a RAG(-ILG), o único a que o poder político atribui autoridade codificadora, e que, entom, deveria passar a reconhecer, e ainda patrocinar, os padrons reintegracionistas (!) [11].

Nessa desesperançosa tentativa aliciadora, a novíssima AGAL apoia-se numha decidida priorizaçom do padrom lusitano sobre o padrom galego reintegracionista —porquanto aquele mais se presta ao utilitarismo e, sobretodo, dado o seu cariz estrangeirizante, menos pom em questom a autoridade da RAG [12]—, enquanto o seu presidente exibe umha atitude claudicante, que renega do sólido e digno legado teórico da AGAL [13], e chega a questionar que o reintegracionismo e os reintegracionistas tenham sofrido discriminaçom por parte do poder político-cultural (!!) [14]. Para cúmulo, no artigo aqui analisado, Eduardo Maragoto, à procura do favor oficialista, recorre a argumentos que nom cabe qualificar senom de ingenuamente absurdos, como o seguinte (pág. 256):

O binormativismo parte da con­vicçom de que ambos os modelos [o isolacionista e o reintegracionista] podem prestar-se ajuda recíproca para ficarem mais fortes perante os desafios da globalizaçom. O português da Galiza necessita do convívio com um galego autónomo [= isolacionista] vigoroso para nutrir-se dos particularismos que Portugal e Brasil já nom lhe podem fornecer. E o galego autónomo [= isolacionista] precisa de compartilhar espaço com o português da Galiza para ganhar projeçom na Luso­fonia e, mais importante talvez, estabilidade interna. [15]

No entanto, a arrefecer possíveis esperanças de recalcitrantes binormativistas, Víctor F. Freixanes, já passado o ano do Dia das Letras carvalhano, e recém-reeleito para o cargo de presidente da RAG, respondia assim, numha entrevista de Manuel Xestoso publicada no Sermos Galiza (8.5.2021: 13):

[Manuel Xestoso:] —Unha desas polémicas que nos perseguen é a dos acordos ortográficos [sic]. Que valoración fai agora, despois do debate que se deu, da proposta de binormativismo que lanzou o reintegracionismo? [Víctor Freixanes:] Sigo pensando que é mellor ter unha soa norma e amarrala ben [sic]. A título persoal, creo que a estratexia é fortalecer o idioma, socializar a poboación arredor del [sic] e proxectar a universalidade da lingua —aliándonos, iso si, co mundo lusófono, co que temos moi boas relacións— a través de produtos que teñan interese no mundo. Se conseguimos iso, a lingua vai detrás. Se estamos pendentes da axuda de Madrid ou de Lisboa, non imos lograr afirmar a nosa personalidade e exportala. E temos moito que ofrecerlle ao mundo.

Nom se pode dizer, em todo o caso, que Eduardo Maragoto e os seus companheiros da novíssima AGAL o nom tenham tentado desesperadamente (atropelando, de passagem, normas coerentes e pessoas e organismos de pleno compromisso reintegracionista). Será o convite da RAG por ele recebido para falar no quadro da homenagem a Carvalho Calero promessa de um pronto reconhecimento oficialista do reintegracionismo? Oxalá estejamos enganados, mas muito receamos que, a esse respeito, o preço pago pola novíssima AGAL, numhas formas que chegam ao indecoroso, fique sem efetiva retribuiçom.

Para concluirmos este longo artigo-testemunho —que se nos afigura nom menos instrutivo do que denunciatório—, permita-se-nos reiterar que, frente ao disparatado «binormativismo» da novíssima AGAL, é a velha proposta da «livre contrastaçom das opçons em presença» formulada por Carvalho Calero que nos continua a parecer o meio mais adequado para a resoluçom do empedernido conflito normativo da Galiza. Hoje em dia, é alta a probabilidade de, em breve prazo, o galego se dissolver no castelhano e deixar de existir socialmente, mas, se a língua autóctone da Galiza pudesse ainda persistir, estamos convictos de que umha tal livre concorrência entre as suas (três) normas havia de desembocar em pouco tempo, de forma natural, sem atrito, no predomínio e fixaçom social de um padrom galego reintegracionista, numha configuraçom que, longe das contorcidas coordenadas norueguesas e luxemburguesas associadas ao «binormativismo», ficaria próxima do sensato pluricentrismo próprio do alemám na Alemanha, na Áustria e na Suíça [16].

NOTAS

[1] Seria possível que um organismo codificador incumbido do estabelecimento de um padrom galego reintegracionista (referimo-nos aqui a umha norma merecedora de tal nome, quer dizer, umha proposta internamente coerente e adequadamente regulada), como hoje é a Comissom Lingüística da Associaçom de Estudos Galegos (v. infra), eventualmente, propugesse, por conveniência prática, sacrificar em galego a natural diferenciaçom morfográfica entre as terminaçons -ám, -om e -ao, para passar a escrever sempre -ão, de harmonia com o lusitano e com o brasileiro. No entanto, devemos ter claro, em primeiro lugar, que tal alvitre nom deixaria de representar um forçamento codificador (na correspondente altura, julgado rendível), e, em segundo lugar, que tal alvitre seria adotado por via formalmente propositiva, mediante umha decisom específica, e nom no quadro da simples adoçom totalizadora do padrom lusitano. Para entendermos que, em qualquer caso, passarmos a representar em galego as terminaçons -ám, -om e -ao como, unicamente, -ão é um verdadeiro forçamento, considere-se o seguinte enunciado, em que releva a evidente incoerência interna resultante (no exemplo, pode entender-se que Sam Pedro e Sam Paulo é um agrupamento musical):

Padrom galego reintegracionista: A JULGARMOS POLO SOM, SOM SAM PEDRO E SAM PAULO.

Padrom lusitano aplicado ao galego: A JULGARMOS POLO SOM, SÃO SÃO PEDRO E SÃO PAULO.

[2] Pode-se verificar que a representaçom gráfica das soluçons galegas -ám, -om e -ao ultrapassa o meramente ortográfico ao reparar em que, na atual versom do dicionário galego do Prof. Isaac A. Estraviz (e-Estraviz), que está composta no padrom morfológico lusitano, os lemas findos em -ão apresentam umha informaçom complementar respeitante à realizaçom fónica na Galiza dessa terminaçom na correspondente palavra (ex.: «alçapão [-om, gz.]»).

[3] Por sua vez, o padrom brasileiro, para além da prosódia ou pronúncia, aparta-se significativamente tanto do galego como do lusitano, como vemos, por causa de aspetos lexicais e morfossintáticos, como a colocaçom do pronome átono e a freqüente ausência do artigo a anteceder o possessivo.

[4] Deve salientar-se, e assim o manifestou na altura a Comissom Lingüística da AGAL, que o maior problema do plano de «aglutinação/aglutinaçom normativa», promovido pola diretiva da Associaçom de costas à sua CL, era, e é, que, ao misturar os padrons galego e lusitano de forma arbitrária, instaura um caos na codificaçom do galego, que torna incoerentes os usos orientados por tal proposta, como, de facto, acontece com o próprio modelo lingüístico que Eduardo Maragoto reflete no seu texto (v. infra). De tal proposta, na realidade, nom deriva umha «aglutinaçom» de normas, mas umha verdadeira dissoluçom das normas lingüísticas (galega reintegracionista e lusitana). Um antecedente muito significativo (para nom dizer determinante) de tal dissoluçom codificadora cabe situá-lo no manual de Valentim Fagim Do Ñ para o NH, que a Através Editora (da AGAL), dirigida polo próprio Fagim, publicou em 2009. Neste livro, destinado a aprendizes de galego-português, usa-se a norma lusitana confusamente entrefebrada de traços galegos, sem qualquer aviso nem explicaçom justificativa.

[5] É muito revelador do estatuto vincadamente subordinado com que a «Comissom Lingüística ad hoc» assinou este documento da dissoluçom normativa o facto de na capa da obra apenas se referenciar a AGAL, e nom a sua Comissom Lingüística, como autora do volume, e o mesmo acontece no catálogo editorial da Através, a editora associada à AGAL. Além disso, é indício da falta de rigor com que o volume Ortografia Galega Moderna foi elaborado o facto de o seu título se referir em exclusivo à ortografia, deixando de parte a morfologia, que também é objeto de atençom na obra. Um pormenor irónico também significativo é que a Através representou na capa do Ortografia Galega Moderna umha máquina caça-níqueis de tipo «multifrutas» a combinar, ao acaso, as heteróclitas soluçons gráficas e morfológicas apresentadas na obra.

[6] Também, na Breve História do Reintegracionismo, de Tiago Peres Gonçalves, livrinho incluído na bibliografia do artigo em causa, o sintagma «Comissom Lingüística (da AGAL)» nom surge umha única vez, o que igualmente parece indiciar um interesseiro ocultamento.

[7] Na transcriçom deste trecho de Carvalho Calero que Eduardo Maragoto realiza na sua comunicaçom, em vez da forma original carvalhana umha (forma do padrom galego reintegracionista), surge uma (forma do padrom lusitano). Apontamos aqui esta circunstáncia, nom porque atribuamos vontade deturpadora ao presidente da AGAL, mas para deixarmos constáncia daquilo que terá sido lapso de transcriçom, como também o terám sido no texto de Maragoto a omissom da palavra «intercâmbio» e a substituiçom (corretiva) do original «passível» por «possível».

[8] No artigo, Eduardo Maragoto afirma que na atualidade se regista entre os reintegracionistas «um uso descomplexado de termos como “português”, “ortografia portuguesa”, “Lusofonia” (em convívio com outros menos rupturistas como “galego”, “galego internacional”, “grafia histórico/etimológica”, “galego-português”).». É lógico que os reintegracionistas de padrom lusitano prefiram denominar a língua autóctone da Galiza, mesmo na Galiza, como português, e nom como galego-português, ou como galego, mas também é lógico que o reintegracionismo coordenacionista, sem rejeitar em absoluto a denominaçom português (sobretodo, no ámbito internacional), prefira para a língua da Galiza (e de Portugal e do Brasil) denominaçons como galego-português ou galego, porquanto a língua, embora fosse difundida no mundo polos portugueses, nasceu na Galiza (Magna). Isso é tam natural como que um flamengo prefira designar a sua língua por neerlandês, ou por flamengo, e nom por holandês. Em qualquer caso, é claro que, no momento presente, a utilizaçom habitual, ou «descomplexada», por parte do reintegracionismo de padrom lusitano da etiqueta português para designar a língua autóctone da Galiza prejudica grandemente a receçom da mensagem reintegracionista junto do público galego, na sua larga maioria ainda nom bem esclarecido na questom da língua.

[9] Numha de tantas concessons ao oficialismo, no seu artigo, Eduardo Maragoto designa por autonomista a norma, que, a rigor, deve chamar-se isolacionista ou secessionista. Com efeito, sendo a referência da designaçom o «português» (quer dizer, o galego-português de Portugal), autonomista só pode ser o padrom galego reintegracionista.

[10] Na realidade, a «aglutinação/aglutinaçom normativa» da novíssima AGAL, que é a base da proposta de «binormativismo», esconde —com pouco dissimulo— o desígnio de menorizar o reintegracionismo coordenacionista e de servir os interesses particulares dos máximos dirigentes da novíssima AGAL, um dos quais, Valentim Fagim, já desde cedo, por própria iniciativa, começou a utilizar, em textos da Associaçom, um modelo lingüístico híbrido individualmente improvisado (!), que incorporava caprichosamente, sobre umha base lusitana, alguns traços galegos. No seu artigo (pág. 255), Eduardo Maragoto afirma que «A AGAL começou por admitir a possibilidade do uso do til etimológico em 1989 e, afinal, desde 2016, também a do nom-etimológico (capitãocoração) e o indefinido uma, sem por isso preterir as clássicas alternativas galegas ao uso deste sinal auxiliar da escrita (capitámcoraçomumha)», mas, apesar do dito, e de que o presidente da novíssima AGAL utilize na redaçom deste artigo a morfologia nominal galega, a verdade é que, no seio da atual AGAL, os usos do padrom galego reintegracionista (coerente) som já muito raros, como pode comprovar-se, por exemplo, consultando os textos publicados no Portal Galego da Língua ou analisando o catálogo de publicaçons da editora da AGAL, a Através (cujo diretor, nos últimos anos de existência da CL-AGAL, mesmo se opujo à publicaçom na editora de algum texto codificador da Comissom!).

[11] E isto, por parte de um organismo, a RAG(-ILG), que, no seu sectarismo, nem sequer dá entrada no seu seio a eruditos da língua, hoje utentes da norma oficialista —mas, ai, de ideais ou simpatias reintegracionistas!—, com tantos méritos como os professores Xosé Ramón Freixeiro Mato (autor de umha magnífica Gramática), Maria Pilar Garcia Negro, Manuel Ferreiro, etc.

[12] De facto, a novíssima AGAL tem-se caracterizado por umha crescente ênfase na difusom do português na Galiza como língua, implícita ou explicitamente, estrangeira, o que radicalmente contradi a filosofia com que a associaçom foi concebida e tem propiciado a filiaçom na AGAL de um número considerável de pessoas que apenas se interessam polo português enquanto língua estrangeira, sem, na realidade, mostrarem qualquer compromisso reintegracionista. Estas circunstáncias podem apreciar-se, e cruamente, por exemplo, na seguinte autocaracterizaçom, que a AGAL publicou no seu sítio internético dos cursos de português «Aporto»: «A Agal é uma associação criada em 1981, que promove a difusão na Galiza do mundo que se expressa em português com a convicção de elevar o bem-estar da cidadania galega e reforçar a língua da Galiza.» (http://www.aporto.org/quem-os-organiza/).

[13] Assim, na pág. 255 do artigo, Eduardo Maragoto afirma: «A aprovaçom por unanimidade no Parlamento Galego da Lei Paz Andrade para o aproveitamento da língua portuguesa dos [sic] vínculos com a Lusofonia, em 2014, reforçou ainda mais estas novas vias de trabalho, tendentes a considerar que as potencialidades do reintegracionismo estám mais em tirar proveito da plena integraçom na Lusofonia que em impor-se no debate filológico galego.».

[14] Num depoimento registado polo jornal internético Galicia Confidencial (23.6.2019) e destinado a granjear o favor do oficialismo para o plano de «binormativismo», Eduardo Maragoto chegou a dizer o seguinte: «[Redaçom:] -Cres que a postura mantida ata hai pouco co reitegracionismo foi unha persecución? [Eduardo Maragoto:] Non, non creo que fose tal. Eu aquí distinguría [sic] o problema de Carvalho Calero e o do reintegracionismo. O útimo [sic] perdeu unha batalla entre finais dos 70 e comezos dos 80, unha batalla cultural e que debe ser vista neses termos. Mais nalgúns casos, como Carvalho Calero, houbo un ostracismo promovido pola administración e as principais institucións culturais que penso que esas mesmas institucións poden recoñecer. Carvalho Calero pasou de ser todo, a principal figura filolóxica, lingüística e historiador da literatura para Galaxia ou a RAG, a ser completamente arrelegado [sic]. Os dez ou quince últimos anos da súa vida tivo que pasalos moi mal, mesmo houbo xente que lle deixou de falar. A súa única casa foi o reitegracionismo que non era o hexemónico. As guerras culturais teñen gañadores e perdedores, mais as cuestións deben resolverse segundo os parámetros actuais e non indo a esas historias.»

[15] Portanto, aqui o presidente da AGAL está a dizer que o reintegracionismo precisa de um padrom isolacionista vigoroso, em especial para se «galeguizar», e que é positivo que o galego disponha hoje de três normas ou padrons (!). Mas nom é constitutiva da linha codificadora da AGAL, iniciada no Estudo Crítico, a radical galeguidade do padrom reintegracionista? Mas nom fai parte já do acervo de convicçons do reintegracionismo, e de evidências sociolingüísticas, que umha das causas determinantes do forte declínio social sofrido polo galego nos últimos quatro decénios tem sido a imposiçom do modelo lingüístico isolacionista, disfuncional e nom prestigiador? E nom fai parte do senso comum e do corpus sociolingüístico que, para umha modalidade lingüística, se revela prejudicial nom dispor de um padrom comum consensualmente reconhecido por toda a sociedade?

[16] Na Galiza, e enquanto ela nom figer parte do mesmo Estado que Portugal, umha tradiçom cultural e literária autónoma e uns falares galego-portugueses nortenhos de traços bastante homogéneos e redutíveis com naturalidade a um «galego comum regenerado» contrastante com o padrom de Portugal cremos que tornariam o padrom galego reintegracionista, numha situaçom de normalidade sociocultural, na opçom claramente preferida. Assim, de facto, acontece na Áustria e na Suíça germanófona com o alemám, o qual, nesses territórios, é codificado de forma solidária com o alemám da Alemanha, mas, ao mesmo tempo, com a incorporaçom de particularismos significativos das respetivas variedades geográficas (o que dá origem a austriacismoshelvetismos e teutonismos), que correspondem à prosódia (apresentando o alemám padronizado na Suíça umha pronúncia especialmente divergente da do alemám da Alemanha e da Áustria), à morfossintaxe e ao léxico (o alemám da Suíça, como exceçom, mesmo se permite conservar um conspícuo particularismo ortográfico a respeito do resto do domínio lingüístico: nele nunca se escreve ß, mas ss [também, com muita menor visibilidade, o padrom brasileiro escreve úmido, frente a húmido nos padrons lusitano e galego]).

Última modificação emTerça, 18 Mai 2021 17:09
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5 comentários

  • Eric
    Eric Sábado, 10 Julho 2021 20:08 Link do comentário

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  • Boioxu
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  • Eric
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  • Eric
    Eric Segunda, 14 Junho 2021 13:01 Link do comentário

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  • Eric
    Eric Terça, 18 Mai 2021 15:04 Link do comentário

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